Directive 8020 é o quinto título da Dark Pictures Anthology da Supermassive Games e o primeiro a deixar a Terra para trás de vez. Ambientado a bordo da nave colonial Cassiopeia em uma missão para Tau Ceti f, a 12 anos-luz de uma Terra moribunda, o jogo bebe livremente de fontes como Alien, The Thing e Event Horizon. A diferença desta vez é que essa inspiração parece intencional, e não acidental, e a história que envolve esses elementos familiares é a melhor que a Supermassive já escreveu para esta série.
Gameplay
O papo é o seguinte: Directive 8020 são dois jogos costurados em um só. O primeiro é uma aventura narrativa focada em escolhas no estilo clássico da Dark Pictures, onde você alterna entre os membros da tripulação, toma decisões de diálogo sob pressão e precisa zerar os QTEs para manter o pessoal vivo. O segundo é um stealth game leve, onde você passa na surdina por alienígenas que imitam humanos, usando apenas uma lanterna e um bastão elétrico.
O lado narrativo funciona muito bem. O sistema de Turning Points, disponível no modo Explorer, oferece uma árvore de história visual que mostra os caminhos ramificados e as consequências das suas decisões. É similar ao visualizador de caminhos de Detroit: Become Human, e incentiva genuinamente o replay, já que você consegue ver exatamente onde suas escolhas divergiram de outros resultados possíveis. Se você quer mapear cada ramificação e salvar toda a tripulação, nosso guia de Turning Points e árvore de história cobre todo o mapa de decisões.

The Turning Points story tree
O lado stealth é onde o jogo perde o fôlego. O conceito é sólido: o alienígena pode imitar membros da tripulação, então você nunca tem certeza de quem está seguro, e esgueirar-se pelos corredores enquanto essa paranoia aumenta deveria ser tenso. No começo, até que é. Mas lá pela quinta hora, a coisa desanda. O stealth nunca adiciona novas mecânicas, não aumenta em complexidade e o atordoamento do bastão elétrico, que te salva quando você é visto, vira uma rede de segurança que acaba com qualquer sensação real de perigo. Uma das reviews negativas mais votadas na Steam resumiu bem: o stealth "não evolui, ele irrita". É preciso. Cerca de 6 das 9 horas de jogo envolvem essas seções, e essa proporção é alta demais.
Dois modos de dificuldade dão algum controle. O modo Survivor é a experiência tradicional com o timing padrão de QTE. O modo Explorer facilita o desafio e adiciona o sistema de Turning Points. Também existem opções de acessibilidade para os inputs de QTE, incluindo uma opção de alternar em vez de apertar freneticamente, algo que vários jogadores na Steam destacaram como uma adição muito bem-vinda.
Gráficos e áudio
Este é, de longe, o jogo mais bonito da Dark Pictures. Os corredores da Cassiopeia são detalhados e opressores, a iluminação faz um trabalho excelente na construção da atmosfera, e as animações faciais são significativamente mais naturais do que nos títulos anteriores. Ainda existem expressões meio travadas aqui e ali e algumas linhas de diálogo que soam estranhas, mas o elenco, liderado por Lashana Lynch como a piloto Brianna Young, segura bem a bronca.
O sound design é forte onde importa. O ruído ambiente nas seções mortas da nave cria um desconforto persistente, e as dicas sonoras dos alienígenas são distintas o suficiente para que você possa usá-las como informação de gameplay durante as seções de stealth. A trilha sonora se mantém contida durante a maior parte do tempo, o que foi a escolha certa. Uma música de terror orquestral muito alta acabaria com a paranoia que o jogo tenta construir.
O desempenho no PC foi sólido para a maioria dos jogadores no lançamento. Vários usuários da Steam relataram framerates estáveis em 4K com as configurações no máximo, embora alguns glitches de áudio tenham aparecido nos capítulos finais. Nada que quebre o jogo, mas é bom ficar de olho.
História e personagens
A premissa é conhecida: a Terra está morrendo, a tripulação da Cassiopeia é a melhor chance da humanidade de encontrar um novo lar em Tau Ceti f, e algo alienígena rompeu o casco e começou a imitar a tripulação. As primeiras duas horas apostam pesado nessa familiaridade, e há um trecho inicial onde o jogo parece estar apenas cumprindo tabela com coisas que você já viu antes.
Então, ele para de jogar seguro.
Sem dar spoilers, a segunda metade de Directive 8020 tem algumas revelações que mudam completamente a perspectiva das cenas iniciais. As motivações dos personagens mudam, e a história conquista esses momentos porque dedicou tempo para fazer você se importar com as pessoas envolvidas. Cernan, o engenheiro filosófico que sente falta do marido na Terra, é um destaque. Cooper, o especialista médico que carrega culpa pela missão, tem um arco satisfatório. Até mesmo Williams, a CEO corporativa cuja presença na nave inicialmente parece apenas um recurso de roteiro, torna-se mais complexa do que o esperado.

The Cassiopeia crew roster
O horror da imitação escala muito bem. Nos capítulos iniciais, fica bem óbvio quem está infectado e quem não está. No terço final, você realmente para de saber, e essa incerteza se traduz em uma hesitação real durante os momentos de escolha. É nessa paranoia crescente que o jogo ganha seus créditos no terror.
Veredito
Directive 8020 é o melhor argumento em anos de que a Dark Pictures Anthology ainda tem caminhos interessantes a seguir. O cenário sci-fi combina com os pontos fortes da Supermassive, o elenco é o mais desenvolvido que a série já produziu, e a segunda metade da história entrega o tipo de surpresa genuína que faz você querer começar um novo grind imediatamente.
O stealth é o verdadeiro problema. Não porque esteja quebrado, mas porque é bom o suficiente para ser mantido e repetitivo o suficiente para te cansar. Um jogo construído inteiramente em torno do lado narrativo, com o stealth reduzido a algumas sequências genuinamente tensas, teria sido algo especial. O que temos, em vez disso, é algo muito bom com uma falha estrutural difícil de ignorar ao longo de 9 horas.
Para os fãs de adventure games no espaço do horror, vale a pena conferir. Para os veteranos da Dark Pictures, é o título mais forte desde House of Ashes e um sinal claro de que a Temporada 2 da antologia está começando com uma base melhor do que a que encerrou a Temporada 1. Confira os detalhes da plataforma se você ainda está decidindo qual versão pegar.


