Emmanuel Rosier, diretor de inteligência de mercado na consultoria de games Newzoo, tem um veredito direto sobre a Epic Games Store: a plataforma ficou tão para trás que não tem mais como zerar essa desvantagem.
"Eu realmente não vejo como eles podem virar esse jogo", diz Rosier, "porque o Steam se tornou inevitável."
O papo é o seguinte: a Epic anunciou no início deste ano que seu launcher passaria por um rebuild total, e uma atualização em junho confirmou que o novo cliente inicia de 5 a 6.5 vezes mais rápido, em média. A loja redesenhada também promete trazer recomendações personalizadas, categorias de acesso rápido e patch notes direto na página do jogo. Funcionalidades úteis, com certeza. O problema é que os jogadores esperavam isso desde 2018, quando a loja foi lançada.
A armadilha dos jogos grátis
A estratégia mais visível da Epic Games Store sempre foi a distribuição semanal de jogos gratuitos. Títulos como Control, Guardians of the Galaxy e Ghostwire: Tokyo já passaram pelo programa. A intenção era clara: atrair jogadores para a plataforma, fazer com que eles navegassem pela loja e começassem a comprar.
O que a maioria dos players deixa passar é que essa estratégia parece ter saído pela culatra. "Eles conseguem usuários dando jogos de graça", explica Rosier, "mas a galera só entra, resgata o jogo e nem abre para jogar. É quase como se estivessem apenas colecionando, em vez de curtir a gameplay de fato."
Os dados confirmam esse comportamento. Quando Blood West foi oferecido de graça na EGS, suas vendas no Steam dispararam cerca de 200% no mesmo dia. Os jogadores resgataram o freebie, mas foram ao Steam para comprar o jogo, porque é lá que a biblioteca deles já vive. O jogo grátis acabou virando marketing para a concorrência.
Lutando em muitas frentes ao mesmo tempo
Rosier identifica um problema de expansão estratégica que vai além do Steam. "O desafio que a Epic enfrenta é que eles tentaram ganhar em todas as frentes nos últimos anos. Tentaram bater de frente com o Steam, com a Apple, com o Google Play, e provavelmente ficaram sem fôlego para lutar todas essas batalhas simultaneamente."
Só a batalha judicial contra a Apple consumiu anos de atenção e recursos. O CEO da Epic, Tim Sweeney, tem sido vocal sobre as ambições da empresa para a plataforma, mas a leitura de Rosier é que dividir o foco em várias frentes diluiu a capacidade da loja de diminuir a distância para a Valve.
O "fosso" do Steam é muito mais profundo do que apenas funcionalidades. São anos de reviews, wishlists, listas de amigos, rastreamento de playtime, mods de workshop e hubs de comunidade. Um launcher mais rápido e patch notes na página da loja não resolvem nada disso.
Onde a Epic realmente ganha: Fortnite como plataforma de games
Rosier é visivelmente mais otimista quando o assunto muda da loja para o próprio Fortnite. "Eles provavelmente precisam focar no que realmente importa, que eu acho que é o Fortnite. Dá para ver que eles estão investindo muito pensamento no Fortnite agora."
A temporada atual do Fortnite ilustra essa mudança. Sonic the Hedgehog, Pac-Man, Crash Bandicoot, Mega Man, Sora de Kingdom Hearts e Joker de Persona 5 estão todos no jogo agora. A Epic apostou pesado em crossovers de videogame, e Rosier vê isso como um reposicionamento inteligente.
"Eles não têm medo de outros jogos", diz ele. "É uma plataforma de games que nem compete mais com outros títulos. Se você está lançando um jogo, faz todo sentido fazer um marketing dentro do Fortnite."
Ele até levanta a ideia de que um evento de GTA 6 dentro do Fortnite faria sentido neste momento, usando a base massiva de jogadores como um canal de marketing em vez de um concorrente a ser evitado.
O sistema de "sprites" colecionáveis adicionado recentemente também recebe uma menção positiva. "Não é sobre ganhar tanto; é sobre completar sua coleção de sprites", nota Rosier, apontando como a mecânica adiciona uma camada de engajamento além do loop de battle royale.
O que isso significa para os gamers
Para os jogadores, o cenário prático não mudou muito. O Steam continua sendo o padrão para PC gaming, e as melhorias no launcher da EGS, embora reais, não mudam a posição fundamental da plataforma. Os jogos grátis ainda valem o resgate, e alguns são títulos excelentes que valem o seu tempo. Confira nossos guias de jogos para análises profundas sobre alguns dos melhores games que passaram por ambas as lojas.
O ponto chave aqui é que a jogada mais forte da Epic daqui para frente parece menos uma guerra de lojas e mais transformar o Fortnite no maior hub de crossover do mundo dos games. Se você está curioso sobre títulos que aparecem nesse ecossistema, como jogos focados em sistemas de progressão complexos, nossa tier list de nações de War Thunder e o guia de modo gráfico de Halo: Campaign Evolved cobrem o tipo de jogo que define onde os players realmente gastam seu tempo.
A Epic tem até o final de 2026 para mostrar se o rebuild do launcher e o redesign da loja vão se traduzir em crescimento real de usuários. Se esses números não subirem, a leitura de Rosier pode se provar correta antes do que qualquer um esperava.









