O Brasil ocupa o quinto lugar no ranking global de adoção de crypto e movimenta cerca de $318.8 billion em valor de ativos anualmente. O país acaba de colocar na geladeira a consulta pública sobre a política de impostos que deveria esclarecer como tudo isso seria tributado. É um "pause" estratégico importante.
O novo Ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiou discretamente a consulta pública sobre a taxação de crypto. O motivo é simples: com as eleições presidenciais no Brasil marcadas para outubro, não é o momento de queimar capital político com medidas fiscais polêmicas. É hora de focar na gameplay política e evitar o game over antes da hora.

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O ministro, o mandato e o timing
Durigan, de 41 anos, assumiu o cargo após a saída de Fernando Haddad, que deixou a pasta para disputar o governo de São Paulo. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria posicionado Durigan como a "nova cara da economia brasileira", com um mandato focado em desenvolvimento econômico e em criar um ambiente favorável para os negócios.
O contexto político é crucial: Lula entra em uma disputa acirrada pela reeleição. As pesquisas mostram um possível segundo turno contra o Senador Flávio Bolsonaro, e a última coisa que o governo quer é uma briga tributária divisiva dominando as manchetes nos meses que antecedem a ida dos eleitores às urnas.
Então, a consulta sobre crypto foi arquivada. Não foi cancelada de vez, mas está em modo de espera até que a poeira política baixe.
Sobre o que era a consulta, afinal?
A consulta adiada não era apenas burocracia. Ela representava o próximo passo na evolução do framework regulatório de crypto no Brasil.
Em novembro, o Banco Central do Brasil finalizou as regras que colocam os provedores de serviços de crypto sob as normas do setor financeiro. Essas regras exigem que as empresas obtenham autorização para operar e colocam as transações de stablecoins e transferências de ativos virtuais usadas para pagamentos internacionais sob a supervisão do mercado de câmbio.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, observou no início deste ano que o uso doméstico de crypto disparou nos últimos três anos, com cerca de 90% dos fluxos atrelados a stablecoins. A consulta serviria para esclarecer como esses fluxos seriam taxados. Sem ela, essa questão continua em aberto.
Provedores de serviços de crypto cobertos pelas regras de novembro do Banco Central ainda enfrentam um prazo de conformidade até novembro de 2026, mesmo que o framework tributário que rege suas transações permaneça indefinido.
Congelamento fiscal geral
O atraso no setor de crypto não é um caso isolado. Faz parte de uma pausa mais ampla em medidas fiscais divisivas dentro do ministério de Durigan.
Uma proposta separada para eliminar isenções fiscais sobre títulos de investimento, incluindo letras de crédito, já havia estagnado no Congresso no ano passado. Essa reforma pode ser adiada totalmente até que um novo mandato presidencial comece em 2027.
O foco legislativo de curto prazo de Durigan será centrado em:
- Regulação econômica de Big Techs
- Regras de gestão de crise para instituições financeiras
- O programa de investimento em data centers Redata
Em outras palavras, legislação microeconômica. Vitórias de baixo atrito que não exigem comprar brigas em um ano eleitoral.
Por que isso importa para o ecossistema web3 do Brasil
O Brasil não é um player pequeno aqui. O país lidera a América Latina no Índice Global de Adoção de Crypto da Chainalysis e ocupa o quinto lugar no mundo. O interesse institucional também tem crescido, com a firma de VC de crypto Paradigm investindo na startup de stablecoin atrelada ao real, Crown, em uma rodada Series A de $13.5 million em dezembro passado, seu primeiro investimento no Brasil.
Esse tipo de momentum institucional geralmente acelera quando existe clareza regulatória. O ponto chave é que as regras do Banco Central de novembro deram à indústria um framework estrutural, mas o tratamento tributário das transações dentro desse framework ainda está indefinido. Para empresas web3 operando no Brasil ou considerando expandir para cá, essa ambiguidade não desaparece só porque a consulta foi adiada.
Os provedores de serviços têm até novembro de 2026 para se adequar aos requisitos de autorização do Banco Central. Se o cenário tributário ficará mais claro antes desse prazo, agora depende muito de como a eleição no Brasil vai se desenrolar.
O cenário geral
Ciclos políticos e regulação de crypto sempre tiveram uma relação complicada. Governos tendem a avançar na política de crypto quando é conveniente e a travar quando não é. A situação do Brasil é um exemplo claro dessa dinâmica em ação.
O atraso na consulta não é um retrocesso no progresso regulatório do país. As regras do Banco Central continuam valendo e o cronômetro para o compliance continua rodando. Mas o tratamento fiscal dos fluxos de crypto, especialmente as transações pesadas em stablecoins que dominam o uso brasileiro, permanecerá sem resolução pelo menos até depois da votação de outubro. Fique ligado para mais novidades:







