Jiro Ishii, produtor executivo do aclamado 428: Shibuya Scramble, está partindo para o jurídico contra uma plataforma japonesa de crowdfunding após mais da metade dos $340,000 arrecadados para seu próximo game sumirem. A plataforma em questão, a Ubgoe, alega que enviou os fundos por engano para outro cliente.

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Como uma campanha que zerou o recorde virou uma disputa judicial
Shibuya Scramble Stories é o sucessor espiritual de 428: Shibuya Scramble, a visual novel de 2008 para Wii que conquistou uma legião de fãs após chegar ao Steam uma década depois. Ishii lançou a campanha na Ubgoe no ano passado e a resposta foi imediata. O game bateu a meta de funding em menos de uma hora e, quando a campanha fechou, tinha arrecadado 55 milhões de ienes, aproximadamente $340,000.
Aí a gameplay deu ruim.
A Skeleton Crew Studio, desenvolvedora por trás do projeto, anunciou que recebeu apenas 27.75 milhões de ienes da Ubgoe, cerca de $170,000 — menos da metade do total arrecadado. O estúdio publicou um comunicado no X confirmando que está buscando medidas legais para recuperar o restante.
A desculpa do "depósito errado" que o advogado de Ishii não engoliu
Em uma entrevista recente ao Denfaminicogamer, Ishii e seu consultor jurídico Takahiro Kasagi detalharam a cronologia. A Ubgoe tinha a obrigação contratual de transferir o valor total até 1º de setembro de 2025. Quando o prazo venceu sem o pagamento, Ishii entrou em contato direto com o CEO da Ubgoe, Kazua Okada. A explicação de Okada: o dinheiro foi transferido por engano para outro cliente.
Por insistência de Ishii, Okada assinou um memorando garantindo o reembolso total até 16 de setembro. A Ubgoe transferiu apenas uma fração do valor pendente até essa data, citando novamente o suposto erro na transferência como motivo para o rombo.
O detalhe é o seguinte: quando Ishii e Kasagi pediram para Okada mostrar a prova da transação errada, ele se recusou repetidamente. Okada acabou mostrando uma tela de conta bancária, mas os valores da transação estavam ocultos. Foi esse detalhe que deixou Kasagi com a pulga atrás da orelha.
Os termos e condições da própria Ubgoe colocam a responsabilidade de cumprir as obrigações com os apoiadores nas costas do dono do projeto, não da plataforma. Ishii admitiu que não sabia dessa cláusula quando lançou a campanha. "Acho que agi na base da confiança, achando que as pessoas eram boas por natureza", disse ele ao Denfaminicogamer.
Uma lição brutal para aprender depois de fazer um grind de $340,000.
Como estão o game e o processo agora
O desenvolvimento de Shibuya Scramble Stories não morreu. Ishii garantiu o apoio da Tokyu Land Corporation, que assegurou que o projeto será finalizado independentemente da treta com a Ubgoe. Então, os backers não precisam entrar em pânico com o game em si.
A briga judicial com a Ubgoe, no entanto, continua. Ishii deixou claro que pretende buscar o valor total devido, e o ceticismo público de Kasagi sobre a explicação da plataforma sugere que o caso pode ficar tenso. Se a Ubgoe vai apresentar provas verificáveis da suposta transferência errada será, provavelmente, o ponto chave de qualquer procedimento legal.
Para os desenvolvedores indie que estão acompanhando, a situação serve como um aviso para ler os termos das plataformas de crowdfunding na íntegra antes de lançar qualquer coisa, especialmente as cláusulas sobre quem assume a responsabilidade caso a plataforma falhe em repassar os fundos. O que a maioria dos players deixa passar em histórias como essa é que o desenvolvedor, e não a plataforma, é quem acaba ficando no prejuízo quando algo dá errado.
Fique de olho nessa build. Se a equipe jurídica de Ishii obrigar a Ubgoe a apresentar os registros da transação no tribunal, a verdade por trás dos $170,000 desaparecidos não terá para onde fugir. Não deixe de conferir mais:








