Uma versão mobile de um dos MMOs mais populares de todos os tempos foi lançada na China, conquistou uma base pequena de jogadores e agora vai ser encerrada antes mesmo que o resto do mundo pudesse testar a gameplay. Essa é a versão curta. Aqui está a história completa.
Final Fantasy XIV Online é um pilar nos PCs e consoles há mais de uma década, mas a Square Enix tinha ambições maiores. Em novembro de 2024, a publisher anunciou uma adaptação mobile do jogo, passando o desenvolvimento para a LightSpeed Studios, a equipe por trás de PUBG Mobile. O projeto não foi apenas um port direto. Ele cobria a história base de A Realm Reborn até o patch 2.0 e The Ultimate Weapon, com jobs, quests e sistemas redesenhados para a tela do celular. Certos recursos de expansões posteriores foram integrados, e o jogo foi lançado na China como uma versão otimizada e portátil do MMO que os veteranos já zeram há anos.
O que a versão mobile acertou na mosca
O ponto é: a versão mobile tinha seus méritos. Jogadores das antigas que conferiram a build notaram alguns recursos de qualidade de vida genuinamente interessantes que o jogo principal ainda não tem. O sistema de glamour lidava com as mudanças de visual das armaduras de forma muito mais elegante do que o sistema de plate-and-dresser do PC. O Materia melding estava mais fluido. O gerenciamento de inventário era mais limpo. Até os FATEs do mapa, que no jogo principal às vezes parecem eventos repetitivos, eram, segundo relatos, mais envolventes e variados na versão mobile.
Os cosméticos eram outro ponto sensível para a comunidade. Penteados e opções de outfit incríveis que existiam na versão mobile, mas não no lançamento principal para PC e console, deixaram os jogadores se perguntando por que esses assets não podiam simplesmente ser portados. A resposta, como sempre acontece com acordos de licenciamento e desenvolvimento, é complicada.
Um acordo de licenciamento que não sobreviveu ao mercado
O comunicado oficial no site do jogo é o mais corporativo possível: "Devido a ajustes nas operações de negócios e mudanças no ambiente de mercado, a Tencent e a Square Enix, por meio de negociação amigável, decidiram encerrar o contrato de licenciamento do Final Fantasy 14 Mobile."
O mercado mobile chinês não perdoa. A concorrência é brutal, a retenção de jogadores é um grind constante, e uma versão otimizada de um MMO com uma década de estrada sempre enfrentaria uma batalha difícil contra títulos criados nativamente para mobile desde o dia um. O projeto foi lançado há pouco mais de um ano e já está em modo de encerramento.
A versão global, que muitos jogadores ocidentais acompanhavam com cautela, também foi confirmada como cancelada. O comunicado oficial incluiu um pedido de desculpas direto aos jogadores que aguardavam um lançamento mundial: "A todos que aguardavam a versão global, oferecemos nossas sinceras desculpas por não conseguirmos atender às suas expectativas." Esse é o cancelamento mais claro que você vai ver sem usarem a palavra propriamente dita.
O que isso significa para os jogadores de FFXIV daqui para frente
O jogo principal continua firme e forte. O Patch 7.4 Into the Mist está no ar, e o guia de conteúdo do Patch 7.4 do FFXIV tem tudo o que você precisa para ficar por dentro das novas raids, dungeons e mudanças nos jobs. O fim do mobile não afeta nada disso.
O que fica em aberto é a questão daqueles recursos de qualidade de vida. A Square Enix agora detém todos os assets e o trabalho de design do projeto mobile. Se algo disso será integrado ao jogo principal, ainda não se sabe, mas o interesse da comunidade é real. Os jogadores pedem há anos pela flexibilidade do glamour e pelas opções de penteado da versão mobile. Com o fim do contrato de licenciamento, existe pelo menos um caminho teórico para que algumas dessas ideias apareçam na versão para PC e console.
Por enquanto, o experimento mobile termina como a maioria dos spin-offs de MMO mobile: silenciosamente, com uma data de encerramento e um pedido de desculpas padrão. O jogo principal tem uma coleção completa de guias de FFXIV que vale a pena conferir se você quiser aproveitar ao máximo o que ainda está rodando.








