Tetsuya Nomura descreveu Quadratum como o hub para onde os jogadores retornam entre os mundos, e o primeiro mundo para o qual eles partem é a Terra dos Mortos, de Viva: A Vida é uma Festa da Pixar. Essa confirmação veio do Disney Entertainment Showcase na D23 deste mês, acompanhada de uma janela de lançamento para o final de 2027 e a maior demonstração de gameplay que Kingdom Hearts IV já teve desde o seu anúncio em 2022.
Por que Viva: A Vida é uma Festa faz sentido como o mundo inicial
O trailer da D23 começa na Terra dos Mortos, com Héctor, o bisavô de Miguel, apresentando a regra que rege o filme: os mortos que são esquecidos pelos vivos acabam enfrentando a Morte Final. Para uma série que passou por 13 títulos lidando com memórias perdidas, identidades reescritas e corações que desaparecem quando as pessoas param de se importar com eles, um mundo onde ser esquecido é literalmente fatal é a escolha temática mais coerente que a Square Enix poderia ter feito.
Sora chega com uma pintura facial de caveira estilizada para combinar com a estética do Día de los Muertos do mundo, luta ao lado de Miguel e Héctor, limpa uma wave de Heartless e sai carregando uma Keyblade temática do filme. O design mostrado no trailer sugere que a equipe construiu o mundo em torno da identidade visual do longa, em vez de apenas jogar Sora em um cenário reconhecível.
A escolha também sinaliza uma direção. A Pixar só entrou na série com Kingdom Hearts 3 em 2019, e começar o novo jogo com um filme da Pixar de 2017 sugere que a Square Enix está inclinada para produções recentes da Disney, em vez do catálogo clássico que os dois primeiros jogos exploraram. Nomura confirmou que existem mais mundos da Disney além de Viva: A Vida é uma Festa, mas não revelou nenhum deles.
O que o trailer da D23 adicionou ao panorama de gameplay
A maior revelação estrutural no trailer não é um mundo. É um quarto comando de entrada no canto inferior esquerdo da tela, posicionado ao lado de ataque, magia e itens, rotulado como "build". A Square Enix não explicou do que se trata. Se isso se conecta à movimentação com gancho do Sora, a uma mecânica de construção ou algo totalmente diferente, é a única dica em quatro anos de que Kingdom Hearts 4 fará algo estruturalmente diferente de Kingdom Hearts 3 entre as lutas, e não apenas durante elas.
O restante do moveset segue o que já conhecemos. Uma variação do Flowmotion retorna, Sora usa o chaveiro da Keyblade como um gancho para encurtar a distância dos inimigos e correr pelas paredes dos prédios, e um screenshot posterior o mostrou se equilibrando em correntes e sendo catapultado pelo ar. O combate padrão com Keyblade e a magia continuam presentes.
Mickey jogável e o que suas seções sugerem
Mickey é jogável em Kingdom Hearts 4, e suas seções são as partes mais criativas do trailer da D23. Ele puxa uma alavanca com uma Keyblade para derrubar uma ponte, se achata em uma silhueta 2D clássica para um platforming side-scrolling e se transforma em uma grande figura de origami de papel para atravessar obstáculos. Donald e Goofy também são jogáveis pela primeira vez na série, embora o trailer não mostre muito do combate deles.
O papel de Mickey na história é procurar por um Sora desaparecido, o que explica por que suas seções de gameplay parecem estruturalmente diferentes da exploração aberta de Sora. O momento da silhueta 2D, em particular, soa como uma referência direta ao histórico do Mickey, e é o tipo de detalhe que costuma agradar a uma fanbase que espera desde 2022 por algo concreto.
A janela de lançamento e o que a cerca
O final de 2027 é a janela confirmada, sem um mês específico. O timing é proposital: 2027 marca o 25º aniversário da série, e a Square Enix vem apontando para esse marco pelo menos desde a ilustração de aniversário de março de 2026, que mostrava Xehanort sob um guarda-chuva entre flores roxas. Nomura afirmou em setembro de 2025 que o desenvolvimento estava progredindo bem e dentro do cronograma.
As plataformas confirmadas são PS5, Xbox Series X/S, Switch 2 e PC via Steam e Epic Games Store. O lançamento para PC e consoles será simultâneo, o que quebra o hábito da série de ter ports para PC chegando muito tempo depois do lançamento nos consoles.
O jogo dá início ao The Lost Master Arc, a saga que sucede a The Dark Seeker Saga, que percorreu os títulos anteriores. Nomura descreveu Kingdom Hearts 4 como um reset destinado a evitar que novos jogadores fiquem perdidos, e disse que o quarto título principal caminha para uma conclusão definitiva. Ele também afirmou que pretende deixar a direção da série assim que o projeto for finalizado.
Os fãs analisaram o material da D23 em busca de pistas adicionais sobre mundos, incluindo uma possível referência a Star Wars e um trabalho de geolocalização em um screenshot de combate que o situou em uma rua real de Tóquio. Nada disso foi confirmado. O que está confirmado é uma cidade com formato de Shibuya com movimentação de gancho como hub, um mundo da Pixar com uma Keyblade como recompensa e um comando misterioso que a Square Enix ainda não explicou.
Para os jogadores que querem ficar por dentro de tudo antes do final de 2027, os guias de Kingdom Hearts IV cobrem tudo o que foi confirmado até agora. A Kingdom Hearts Collection também chega ao PS5, Xbox Series X/S, Switch 2 e PC em 8 de outubro, sendo a maneira mais prática de zerar o catálogo antigo antes da chegada do novo jogo. Se você é novo no gênero de jogos RPG e está se perguntando por onde começar na série, essa coleção é a resposta.









