Lá no final dos anos 2000, eu não estava apenas jogando – eu estava criando um pequeno exército de pets digitais. Meus Tamagotchis estavam sempre à beira da morte. Meus Webkinz tinham histórias elaboradas. Mas nenhum deles me marcou tanto quanto Nintendogs.
Se você tinha um Nintendo DS naquela época, provavelmente jogou também. Talvez você gritasse "Senta!" no microfone em público como se fosse super normal. Talvez você esfregasse a tela de toque como um louco para tirar a sujeira imaginária do pelo do seu Labrador. Eu fiz tudo isso. Religiosamente. Eu tinha rotinas. Eu tinha meus cachorros favoritos. E, acima de tudo, eu tinha o Balto – um Husky que adotei e que dominava todas as competições como se tivesse nascido para isso.
Mas voltar para Nintendogs em 2025 é... estranho.

Nintendogs
Não me entenda mal, ainda tem seu charme. Mas também é incrivelmente desconectado da realidade. Você pode deixar seu cachorro no vagamente chamado "Hotel para Cães" por anos, depois voltar e pegá-lo como se nada tivesse acontecido. Sem contas de veterinário. Apenas um latido feliz e um rabo abanando, como se você tivesse saído por apenas cinco minutos.
Até a opção "doar" – que eu definitivamente usei mais de uma vez por tédio – parece meio sombria agora. Uma vez que um cachorro se ia, era isso. Sem botão de desfazer. Sem segundas chances. Apenas... sumiu.
Olhando para trás, fico meio chocado com o tempo que dediquei a um jogo sem um final real. Depois que você zera os concursos de nível superior, é isso. Você entra em um loop. Alimentar. Passear. Treinar. Competir. Repetir. Seu cachorro nunca envelhece, nunca muda. É como um simulador de pet eternamente jovem preso em um limbo aconchegante. E, no entanto, eu amei cada segundo disso.
Mas agora? As falhas são mais óbvias. A AI é super superficial. O multiplayer – se é que podemos chamar assim – basicamente permite que você esbarre nos cachorros de estranhos durante os passeios e troque uns presentinhos estranhos. Esse era todo o sistema. E os apresentadores do concurso, Archie Hubbs e Ted Rumsworth? Quando criança, eu achava eles engraçados. Agora não consigo ouvi-los por mais de alguns segundos sem apertar o botão de pular.
Eu tentei outros jogos de pets também. Purr Pals foi um deles. Meio que Nintendogs, mas com gatos – e gráficos muito, muito piores. Você só podia ter um gato, as animações eram duras, e os shows de gatos eram de alguma forma mais chatos do que já parecem. Mesmo quando era novo, o jogo parecia desatualizado. Agora, em 2025, é quase injogável (desculpe, amantes de gatos).

Purr Pals
Mas Nintendogs? Ainda se mantém… mais ou menos. Claro, não faz muito sentido agora, e os cachorros não se comportam como animais de verdade, mas o design era sólido. Os sons ainda são bons. Os controles de stylus ainda são estranhamente satisfatórios. E há algo naqueles pequenos cachorros pixelados que ainda consegue tocar em algo profundo e nostálgico.
Eu ainda o revisito às vezes. Não o aproveito da mesma forma, e definitivamente me sinto velho demais para ele agora, mas há um conforto nisso. Sem pressão. Sem urgência. Apenas rotina. E, honestamente, esse tipo de gameplay tranquilo parece mais relevante do que nunca. Em um mundo de atualizações constantes e serviços ao vivo, Nintendogs parece uma pequena e aconchegante cápsula do tempo.
A Nintendo tentou dar sequência com Nintendogs + Cats no 3DS, mas não foi a mesma coisa. Desde então, houve o burburinho usual de rumores – um reboot, uma versão mobile, talvez algo usando AI – mas nada ainda. E agora, com o Switch 2 finalmente lançado, algumas pessoas ainda esperam que a Nintendo o traga de volta.
Funcionaria como um título premium de $70? Provavelmente não. Mas como um lançamento digital de nível médio ou um cozy sim de live-service? Talvez.
Até lá, ainda tenho o Balto. Ainda leal. Ainda esperando no Hotel para Cães como se eu nunca tivesse saído.
Talvez alguns jogos não sejam feitos para serem rebootados… talvez sejam apenas feitos para serem lembrados.






