Os números contam uma história bem desanimadora. Marvel Tokon: Fighting Souls foi lançado para PC no dia 6 de agosto, atingindo um pico de cerca de 25.000 jogadores simultâneos na Steam. Em poucos dias, esse número caiu para aproximadamente 14.000 no pico diário e, em certos momentos, ficou abaixo de 7.000 jogadores simultâneos. Para um jogo de luta live service de $70 que depende de uma base de jogadores saudável em cross-platform, perder quase metade da sua audiência antes mesmo do primeiro fim de semana é um problema seríssimo.
Como a versão de PC desandou tão rápido

Os sinais de alerta já existiam antes do lançamento. O open beta já gerava reclamações sobre travamentos e problemas de frame rate no PC, e os jogadores que esperavam que esses problemas fossem resolvidos até o dia do lançamento ficaram frustrados. O lançamento oficial trouxe os mesmos problemas, além de alguns novos.
As análises na Steam ficaram com classificação "Neutra" quase imediatamente. Olhando para as reclamações recorrentes, três problemas dominam: a obrigatoriedade de vincular uma conta da PlayStation Network, a falta de suporte para Linux ou Steam Deck e um desempenho de frame rate que os jogadores descrevem como inaceitável para um jogo de luta competitivo. Um usuário da Steam resumiu na lata: "45fps para um jogo de luta é vergonhoso. Se eu consigo rodar Tekken e Street Fighter, eu deveria conseguir rodar isso aqui."
A exigência da conta PSN é um ponto particularmente sensível. Marvel Tokon já estava bloqueado em mais de 100 países antes do lançamento por causa disso, gerando comparações com a polêmica de Helldivers 2 em 2024. A Sony acabou voltando atrás nessa exigência em Helldivers 2 após uma reação massiva da comunidade. Aqui, não houve tal reversão. Jogadores de PC que conseguem acessar o jogo ainda precisam criar e vincular uma conta PlayStation só para chegar ao menu principal, e jogadores em regiões bloqueadas simplesmente não conseguem jogar.
Quando um ícone da FGC desinstala o jogo ao vivo

O momento que realmente cristalizou a situação para a comunidade foi quando MaximilianDood, uma das figuras mais conhecidas da FGC, desinstalou a versão de PC ao vivo. Max tem uma ponta no filme de Street Fighter e foi abordado pela Epic para promover Fortnite, então, quando ele fala sobre um jogo de luta, a FGC presta atenção.
A reação dele não foi um surto dramático. Isso quase tornou tudo pior. Ele estava calmo, ponderado e claramente frustrado: "Isso está ruim, chat. Não acho que consigo jogar mais. Está fazendo eu gostar do jogo bem menos. Você só tem que assistir a isso travando loucamente. É literalmente o PTSD de Dragon Ball de novo. É muito lixo."
Ele esclareceu que ainda curte o jogo em si e planeja jogar exclusivamente no PS5 daqui para frente. Mas essa distinção mal suavizou o impacto. Um criador de conteúdo proeminente da FGC abandonar publicamente a versão de PC e chamá-la de injogável é exatamente o tipo de momento que se espalha rápido e fica na memória das pessoas.
O efeito cascata atingiu os organizadores de torneios. Pelo menos um torneio de jogos de luta nos EUA anunciou que realizaria sua competição exclusivamente em hardware PS5 como resposta direta ao estado do port para PC. Isso é notável, já que a FGC historicamente prefere setups de PC em eventos pela consistência e flexibilidade. Escolher o PS5 como a opção "estável" em vez do PC diz muito sobre como as coisas estão atualmente.
A parte frustrante: o jogo em si é bom

O que torna essa situação genuinamente frustrante, e não apenas mais uma história de port ruim, é que a versão de PS5 de Marvel Tokon: Fighting Souls é, segundo a maioria, excelente. A Arc System Works entregou exatamente o que os fãs queriam de um jogo de luta da Marvel: visuais estilosos, um sistema de combate profundo e um elenco que inclui Spider-Man, Wolverine, Storm, Magneto, Carnage, Ghost Rider, Deadpool e mais.
Muitas das análises negativas na Steam não estão criticando o design do jogo. Elas o elogiam enquanto detonam o estado técnico do port. "Primeiramente, a Arcsys fez um jogo INCRÍVEL", diz uma análise bem avaliada. "O fato infeliz é que, mesmo com o jogo sendo bom, a SONY insiste em tornar a experiência a pior possível."
Esse é o verdadeiro dano aqui. O golpe na reputação não está caindo no design da Arc System Works. Está caindo especificamente no port de PC e, por extensão, na Sony como publisher. Esse é um padrão que os jogadores de PC já viram da Sony antes, e a boa vontade gerada por um jogo de luta genuinamente forte está sendo destruída por decisões de infraestrutura e otimização que deveriam ter sido resolvidas antes do lançamento.
A Arc System Works reconheceu a situação, publicando um comunicado dizendo que a equipe está "investigando ativamente" os relatos de performance e pedindo que os jogadores continuem enviando feedback. Isso é um começo, mas para um jogo de luta onde as primeiras impressões determinam se a comunidade competitiva vai adotá-lo, um "estamos analisando" após o lançamento tem muito menos peso do que entregar um produto funcional.
O que precisa acontecer agora
A queda na contagem de jogadores é acentuada o suficiente para que o dano já esteja parcialmente consolidado. Alguns jogadores que desistiram da versão de PC na primeira semana não voltarão mesmo após os patches. O modelo live service depende de engajamento constante, e uma semana de lançamento turbulenta pode esvaziar a base de jogadores antes mesmo de o jogo se firmar.
A Sony precisa resolver a situação da exigência da PSN. O precedente de Helldivers 2 existe. Reverter a decisão é possível. Manter mais de 100 países bloqueados de um jogo de luta de $70 não é uma posição sustentável, e isso está diminuindo ativamente o grupo de jogadores potenciais para um jogo que precisa de escala para prosperar.
Para os jogadores no PS5, a situação está genuinamente boa agora, e se você quer ficar por dentro de tudo no jogo, os guias de estratégia de Marvel Tokon: Fighting Souls cobrem personagens, combos e progressão em detalhes. Se você é um jogador de PC esperando por correções, ficar de olho nos canais oficiais da Arc System Works é o que resta fazer. O jogo base vale a pena. O port só precisa acompanhar.








