Apesar de anos de inovação e investimento, a indústria web3 continua tentando zerar uma questão central: quando ela finalmente terá seu momento de virada com o usuário comum? Em uma conversa recente com a Avalanche, Vera Im (Senior Investment Associate no Blizzard Fund) argumenta que a resposta não está em hype especulativo ou complexidade técnica, mas sim na criação de aplicações de consumo que sejam intuitivas, relevantes e focadas em problemas reais. Usando sua própria jornada — de funcionária de startup a investidora crypto — Im oferece uma visão pé no chão sobre por que a adoção em massa ainda não aconteceu e o que seria necessário para a web3 finalmente ter seu tão aguardado "momento Facebook".

When Will Web3 Go Mainstream?
A Web3 vai virar mainstream?
Em 2018, Vera Im recebeu uma pequena quantia de Bitcoin de uma figura importante da comunidade crypto. Na época, ela estava meio cética, mas intrigada. Enquanto muitos de seus colegas focavam em carreiras convencionais, esse primeiro contato com a criptomoeda marcou uma virada na sua trajetória. Com o tempo, conforme seus modestos holdings de crypto valorizaram, o interesse de Im só aumentou. Hoje, ela é Senior Investment Associate no Blizzard Fund, um fundo de ecossistema de $200 milhões (dados de maio de 2025), desempenhando um papel ativo na avaliação de web3 projects em estágio inicial. Seu caminho até o venture capital não foi direto, mas moldado por uma série de experiências que lhe deram uma visão completa tanto de startups quanto de investimentos.
Lições da vida em startup e a entrada na web3
Nascida na Coreia do Sul, Im mudou-se para os Estados Unidos para estudar economia na Brown University. Após a graduação, ela entrou em uma startup em estágio inicial em Nova York, onde assumiu diversas responsabilidades, incluindo a folha de pagamento — muito além do seu cargo original. Esse contato prático com os perrengues de uma startup lhe deu uma perspectiva valiosa. Mais tarde, trabalhou brevemente como product manager em uma empresa de finanças tradicional, uma função que não a realizava. Durante a pandemia, mudou-se para Miami, onde conheceu artistas explorando NFTs e aplicações de blockchain. Esse ambiente reacendeu seu interesse por crypto. Ao retornar a Nova York, ela descobriu a Avalanche em um evento, o que a levou ao seu cargo atual na Ava Labs. Ela está envolvida no setor há quase três anos.

Vera Im (Senior Investment Associate at the Blizzard Fund)
A busca pelo momento de virada
Apesar de anos de desenvolvimento, a indústria web3 ainda não emplacou aquela aplicação definitiva que traria a adoção em massa. Im chama isso de o "momento Facebook" que falta — aquele ponto em que um produto se torna tão usado que não participar parece que você está perdendo o hype. Ela aponta que o Facebook teve sucesso por ser acessível e intuitivo para pessoas de todos os perfis, incluindo sua própria mãe, que não é nada tech-savvy, mas usa platforms como o Instagram sem dificuldade. Muitos produtos web3 ainda são difíceis de navegar, com terminologias e interfaces que atendem a um público de nicho, e não ao grande público. Para a web3 alcançar o mesmo nível de onipresença das redes sociais, ela precisa superar essas barreiras.
Repetição e imitação no desenvolvimento de produtos
Im nota que muitos fundadores no espaço estão criando iterações de projetos existentes na esperança de replicar sucessos passados, muitas vezes sem resolver um problema claro ou relevante. Essa tendência gerou um mercado saturado com ofertas similares que não se destacam nem trazem melhorias reais para a vida dos usuários. Ela compara isso à tendência da indústria cinematográfica de refazer histórias famosas, o que raramente gera empolgação de verdade. Para a web3 evoluir, ela precisa de ideias originais que resolvam necessidades reais dos usuários, em vez de apenas seguir tendências ou tentar surfar no hype.
O papel do feedback do usuário na construção de produtos melhores
Um dos problemas mais persistentes que Im observa na web3 é a falta de feedback estruturado dos usuários durante o desenvolvimento. Muitas equipes priorizam discussões internas e a opinião de investidores, ignorando as necessidades e a experiência de quem realmente vai usar o produto. O resultado final muitas vezes carece de clareza e usabilidade para quem está fora da bolha web3-native. Im acredita que entrevistas consistentes com usuários e ciclos de feedback deveriam fazer parte do processo de desenvolvimento, muito mais do que seguir um roadmap rígido. Iterar com base no uso real e ajustar o produto é um passo necessário para qualquer aplicação que queira atingir um público maior.
O Big Blockchain Game List mostra que, das 911 games listados atualmente, 334 estão live, enquanto 577 permanecem em vários estágios de desenvolvimento. Uma análise comparativa desde a criação da lista em 2021 revela que 31% do total de 1.318 games foram descontinuados, totalizando 407 títulos por motivos como desafios de financiamento e condições de mercado. Muitos acreditam que o próximo grande momento do web3 gaming virá de equipes pequenas e ágeis, em vez de grandes estúdios. Desenvolvedores indie têm a flexibilidade de experimentar novas gameplay e estratégias de monetização sem as amarras de estruturas corporativas tradicionais. Estúdios como Pixels mostraram como a iteração contínua e a adaptação podem impulsionar o progresso no setor.

Big Blockchain Game Report: Q1 2024 Discontinued Web3 Games
Visibilidade e o desafio da percepção
Outro obstáculo para os projetos web3 é a visibilidade. Im diz que muitas iniciativas promissoras são ofuscadas por polêmicas de alto nível e por uma mídia que foca quase totalmente na volatilidade do mercado e em golpes. Essas manchetes negativas contribuem para uma percepção pública que faz as pessoas hesitarem em explorar a web3 além de comprar ativos conhecidos como Bitcoin. Projetos com grande potencial e design bem pensado muitas vezes lutam para ganhar a atenção que merecem. Im enfatiza a importância do storytelling na forma como os projetos são recebidos. Ela acredita que comunicar a narrativa certa não serve apenas para atrair usuários, mas também para estabelecer confiança e relevância em um campo lotado.
Fevereiro de 2025 estabeleceu um novo recorde de cryptocurrency hacks, com um total de $1.5 bilhão roubados de plataformas descentralizadas. O hack da exchange Bybit foi responsável pela maior parte dessas perdas, com $1.4 bilhão drenados devido a uma vulnerabilidade de multisignature. Esse ataque superou recordes anteriores, tornando-se o maior exploit DeFi da história.
Outras brechas de segurança incluíram o protocolo de empréstimo zkLend, que perdeu $9.5 milhões devido a um bug de arredondamento, e a Ionic Money, que foi explorada em $8.6 milhões através de um golpe de colateral com token falso. Quase todos os grandes exploits em fevereiro foram ligados a vulnerabilidades off-chain, incluindo ataques de engenharia social e interfaces de usuário comprometidas. Esses incidentes reforçaram a necessidade de melhores medidas de segurança em todo o ecossistema web3, especialmente nas áreas de segurança operacional e governança.

Exploits and Hacks in the Dapp World Feb 2025
A intersecção de IA e Crypto como um potencial catalisador
Im vê o crescimento rápido da inteligência artificial como um potencial catalisador para o tão esperado marco de adoção da web3. Com o uso generalizado de ferramentas como o ChatGPT, a IA já alcançou o que ela descreve como seu "momento Facebook". Olhando para o futuro, ela acredita que o desenvolvimento de agentes autônomos pode levar a um "momento Instagram" para a IA de consumo, uma segunda onda de adoção em massa. Esses agentes precisarão de infraestrutura financeira para interagir com sistemas do mundo real de forma independente, um papel que a infraestrutura crypto está bem posicionada para cumprir. Im vê essa convergência de IA e crypto como um provável motor do tipo de superapp que poderia finalmente entregar a adoção em massa para a web3.
Apoiando a resolução de problemas em vez do hype
Ao longo de suas observações, Im mantém o foco na importância de identificar e apoiar fundadores que estão resolvendo problemas reais. Embora alguns projetos apliquem blockchain ou tokens apenas para atrair investimento, ela reforça a importância de questionar se a tecnologia é genuinamente necessária. Ela acredita que aplicações eficazes de infraestrutura crypto devem melhorar modelos de negócios ou experiências do consumidor, não apenas servir como ferramenta de marketing. O sucesso a longo prazo da web3, em sua visão, virá de builders que tenham uma build sólida, focada em resolver problemas e atender às necessidades dos usuários, e não em tendências de curto prazo ou metas especulativas.
Um caminho medido para a adoção
Embora a indústria ainda enfrente desafios significativos, Im permanece cautelosamente otimista sobre o futuro da web3. Sua perspectiva, moldada tanto pela experiência operacional em startup quanto pelo investimento de risco, oferece uma visão pé no chão do que será necessário para a indústria crescer. À medida que o mercado amadurece, a combinação de desenvolvimento de produto cuidadoso, storytelling melhorado e alinhamento com tecnologias emergentes como IA pode ajudar a web3 a finalmente atingir o ponto de adoção em massa. Até lá, a busca pelo "momento Facebook" da crypto continua, com o entendimento de que será preciso mais do que apenas inovação. Será preciso relevância, clareza e valor genuíno para os usuários do dia a dia.







