Os DVDs estão fazendo um retorno inesperado. Depois de anos de queda constante, a queda nas vendas do formato diminuiu de 20 por cento em 2024 para apenas 9 por cento em 2025. Locadoras independentes como a Cinefile e a Vidiots estão vendo mais movimento de clientes jovens, com a Vidiots alugando cerca de 1.000 DVDs por semana. Para um formato que muitos já tinham "zerado" e dado como morto, o interesse renovado da Geração Z aponta para uma mudança maior na forma como as pessoas pensam sobre a posse de mídia.
Isso não é só nostalgia. Selos boutique como a A24 e a The Criterion Collection construíram públicos que se importam com experiências curadas, enquanto plataformas como o Letterboxd fomentam comunidades em torno de um engajamento mais profundo com o cinema. Ao mesmo tempo, serviços de streaming como a Netflix continuam subindo os preços, adicionando anúncios e rotacionando títulos conforme os contratos de licenciamento expiram. Se você quer acesso garantido a um filme específico, comprar o disco ainda é a aposta mais segura.

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O que significa ser dono quando tudo é digital
O mundo dos games enfrenta os mesmos problemas. Na última década, a indústria migrou pesado para lojas digitais e modelos de assinatura. Downloads digitais são convenientes, mas dependem de políticas de plataforma, uptime de servidores e acordos de licenciamento que podem mudar sem aviso. Os jogadores nem sempre mantêm acesso permanente ao que compram, especialmente quando serviços online são encerrados ou publishers removem títulos das lojas.
Lojas de games independentes estão vendo compradores mais jovens aparecerem em busca de cópias físicas. Daniel Teixeira, que gerencia a A&C Games em Toronto, diz que os clientes frequentemente perguntam por títulos antigos de franquias de longa data. Em vez de só correr atrás do último lançamento, alguns players querem entender onde essas séries começaram. É a mesma curiosidade que leva fãs de cinema a explorar além do que está em alta no streaming.
Mas o mercado físico de games tem problemas diferentes dos do cinema. Colecionar jogos retrô ficou caro, especialmente após a pandemia aumentar a demanda. Títulos populares podem custar centenas de dólares no mercado de usados, deixando de fora jogadores mais jovens que só querem curtir jogos antigos. Lojas independentes precisam pagar preços competitivos para manter o estoque, o que empurra os preços de varejo ainda mais para cima. O resultado é um mercado que corre o risco de excluir justamente quem tem mais interesse em explorá-lo.
Lojas que funcionam como pontos de encontro
No Condado de San Bernardino, a RATNEST notou mais clientes jovens procurando mídia física, incluindo jogos retrô e importados de nicho. A proposta da loja prioriza a vibe em vez da lógica de varejo tradicional. Hardware vintage, máquinas de arcade e expositores de música transformam o ato de procurar em algo mais próximo de uma exploração do que de uma compra.
O dono, Robbie Ratnest, desencoraja o "flipping" e a graduação de jogos para revenda. O objetivo é manter os jogos circulando entre pessoas que realmente querem fazer o gameplay, não tratá-los como ativos de investimento. É uma resistência contra a fixação crescente do mercado retrô em itens lacrados e graduados, o que tira jogos de circulação e inflaciona os preços para todo mundo.
Até grandes varejistas como a GameStop costumavam funcionar como pontos de encontro informais para jogadores mais jovens. Mas o varejo corporativo prioriza metas de vendas em vez da preservação cultural. O retorno do DVD mostra que espaços físicos podem funcionar como hubs comunitários quando equilibram o comércio com um interesse genuíno e compartilhado.
Como o cinema manteve clássicos cult vivos
A história do cinema está cheia de exemplos onde a mídia física estendeu a vida de uma obra. Filmes como Blade Runner, Fight Club e The Thing fracassaram nos cinemas, mas encontraram seu público através de vendas em VHS e DVD. O home video criou uma segunda chance para filmes serem descobertos e reavaliados com o tempo.
A mudança dos games para modelos de live-service e plataformas de assinatura encolheu esse mercado secundário. Grandes detentores de plataformas como Sony e Xbox focam em receita recorrente e engajamento de longo prazo. Essas estratégias podem trazer estabilidade, mas também restringem a atenção a um conjunto menor de títulos e serviços contínuos.
O ressurgimento do DVD prova que o público jovem vai pagar pela posse quando os sistemas digitais parecem instáveis ou restritivos. Para os games, isso significa que apoiar lançamentos físicos acessíveis, dar suporte a varejistas independentes e manter a funcionalidade offline intacta pode tornar o ecossistema mais sustentável a longo prazo.
Por que cópias físicas ainda importam
Video games são interativos de formas que o cinema não é, mas ambos dependem de preservação. Encerramentos de servidores, remoções de lojas e descontinuação de hardware podem cortar o acesso a títulos em poucos anos. Cópias físicas não resolvem todos os problemas de preservação, especialmente para jogos sempre online, mas fornecem uma camada de estabilidade que compras puramente digitais não conseguem igualar.
O interesse renovado nos DVDs reflete uma demanda mais ampla por controle sobre bibliotecas de mídia pessoal. Para os games, o caminho a seguir não exige abandonar a conveniência digital. Significa apenas manter sistemas paralelos que permitam aos jogadores acessar e revisitar títulos anos após o lançamento. Lojas independentes, eventos focados na comunidade e mercados de usados continuam sendo parte dessa infraestrutura.
O engajamento da Geração Z com DVDs dá à indústria de games uma chance de repensar como a posse, a comunidade e o acesso a longo prazo se encaixam no seu futuro. A verdadeira questão não é se a distribuição digital continuará dominando. É se a mídia física pode coexistir como um contrapeso estabilizador.
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Perguntas Frequentes (FAQs)
Por que a Geração Z está comprando DVDs de novo?
A Geração Z está comprando DVDs por conta do acesso confiável, experiências de filmes curadas e proteção contra rotações de catálogo de streaming, aumentos de preço e planos com anúncios.
Como o revival do DVD se relaciona com os video games?
O retorno do DVD destaca um interesse renovado na posse de mídia física. Os games enfrentam preocupações similares sobre distribuição apenas digital, preservação e acesso a longo prazo, impulsionando a discussão sobre o valor das cópias físicas.
Jogos físicos estão se tornando populares novamente?
Alguns varejistas independentes relatam um aumento no interesse de jogadores mais jovens por jogos retrô e físicos. No entanto, os altos preços de revenda continuam sendo uma barreira para uma adoção mais ampla.
Por que colecionar jogos retrô é caro?
Oferta limitada, aumento da demanda, mercados especulativos de graduação e picos de preço da era da pandemia elevaram os custos de muitos títulos antigos.
Jogos físicos garantem acesso a longo prazo?
Cópias físicas oferecem mais estabilidade do que licenças digitais, especialmente para jogos offline. Títulos que exigem servidores online ainda podem se tornar injogáveis se esses serviços forem encerrados.
A mídia física pode ajudar a preservar a história dos games?
Sim. A mídia física apoia esforços de arquivamento, mercados de revenda e troca comunitária, tudo contribuindo para a preservação a longo prazo e continuidade cultural.








