Quinze anos. Esse é o tempo que The Witcher 2: Assassins of Kings existe sem nunca ter dado as caras em um console PlayStation. Sem port para PS3, sem remaster para PS4, sem retrocompatibilidade no PS5. Nada. E com The Witcher 4 ganhando um hype absurdo na CD Projekt Red, essa lacuna na história da franquia no PlayStation começa a parecer menos um descuido e mais uma perda real para uma parcela inteira da fanbase.
O universo de The Witcher se expandiu muito além das suas raízes de RPG, gerando card games, títulos mobile e spin-offs como Reigns: The Witcher. Mas aquele RPG principal que serviu de ponte entre o primeiro jogo e o aclamado Wild Hunt? Continua preso ao PC e Xbox.

Batalha inicial de Witcher 2

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Voltar para The Witcher 2 em 2026 é uma experiência surpreendente. O mundo é vibrante, o roteiro é afiado e a narrativa política é mais madura do que a maioria dos RPGs lançados nos anos seguintes. A CD Projekt Red criou algo que parecia estar à frente do seu tempo em 2011, e a enhanced edition da versão de PC envelheceu muito melhor do que a maioria dos jogos daquela era.
O ponto é: The Witcher 2 foi onde o estúdio encontrou sua identidade. O sistema de persuasão, o sinal Axii usado como ferramenta de diálogo, a estrutura de caminhos ramificados que joga os players em segundos atos completamente diferentes dependendo das escolhas no Capítulo 1. Essas mecânicas foram a build base que fez The Witcher 3 parecer tão completo.
O combate é mais travado do que o que veio depois, sem dúvida. As esquivas do Geralt são lentas, o target lock-on é instável e usar poções exige meditar, parando o gameplay totalmente. Mas essas arestas fazem parte do registro. Elas mostram o grind e o trabalho por trás do desenvolvimento.
O que os donos de PlayStation realmente perderam
The Witcher 2 foi lançado para PC em maio de 2011 e chegou ao Xbox 360 em 2012. Só isso. Os consoles da Sony nunca tiveram chance, o que é uma lacuna estranha, considerando que The Witcher 3 foi lançado para PS4 com um sucesso estrondoso e, mais tarde, chegou ao PS5 através do update de nova geração.
Para os players que conheceram a franquia através de Wild Hunt no PlayStation, o segundo jogo é basicamente um ponto cego. O sistema de importação de escolhas em The Witcher 3 permite que você traga decisões de The Witcher 2 ou simule-as através de uma configuração padrão, mas isso é um quebra-galho, não um substituto.
O que a maioria dos players perde ao pular The Witcher 2 é a base tonal. A história é mais fechada e focada na política do que o open world expansivo de Wild Hunt. Geralt é incriminado pelo assassinato do Rei Foltest, e o jogo inteiro funciona como um thriller de conspiração baseado em lealdade a facções e dilemas morais. É um tipo diferente de história de Witcher, e uma muito boa.

Axii como opção de diálogo
A lacuna na franquia que a CD Projekt Red nunca preencheu
O timing torna essa conversa relevante novamente. Com The Witcher 4 em desenvolvimento ativo e o estúdio contando com quase 500 pessoas no projeto, a franquia está prestes a alcançar uma nova geração de players. Muitos deles estão no PlayStation.
Um relançamento ou remaster de The Witcher 2 faria todo sentido comercial. A infraestrutura já existe: a Enhanced Edition no PC prova que o jogo pode ser polido e bem apresentado, e a versão de retrocompatibilidade do Xbox mostra que ele roda liso em hardware moderno. A CD Projekt Red já fez o trabalho pesado.
O estúdio mostrou que entende o valor do legado. O update de nova geração de The Witcher 3 foi gratuito para quem já tinha o jogo e trouxe uma nova onda de players. Aplicar uma lógica similar a The Witcher 2 antes do lançamento de The Witcher 4 fecharia o ciclo narrativo para os fãs de PlayStation que querem a história completa antes que a jornada de Ciri comece.
Por enquanto, o PC continua sendo o melhor lugar para vivenciar isso. O gênero de adventure games produziu poucos RPGs que igualam a densidade política e a confiança narrativa de The Witcher 2, e ele merece mais do que ser tratado como uma nota de rodapé entre dois títulos mais famosos.
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