Houve um tempo em que comprar um jogo significava algo. Você juntava grana, ia à loja, pegava aquela caixa da prateleira e saía sabendo que era sua. Sem conta, sem launcher, sem EULA de 20 páginas. Você podia jogar anos depois, passar para alguém, emprestar para um amigo ou simplesmente guardar na prateleira como um troféu. O disco era seu, as memórias eram suas, e ninguém podia tirar isso de você.
Agora a Ubisoft quer que você destrua ele.
Escondida no último Contrato de Licença de Usuário Final da Ubisoft – aquele que você tem que aceitar para jogar qualquer jogo deles ou usar o Ubisoft Connect – tem uma linha que parece algo saído de uma piada ruim: “Mediante rescisão por qualquer motivo, você deve desinstalar imediatamente o Produto e destruir todas as cópias do Produto em sua posse.”

Ubisoft Wants You to Destroy Your Games
Sério. Se eles revogarem sua licença – e eles podem fazer isso por basicamente qualquer motivo – eles esperam que você delete o jogo e destrua fisicamente todas as cópias que você tem. Mesmo que seja um disco. Mesmo que você tenha pago por ele. Mesmo que ele esteja na sua prateleira desde 2014.
Agora, ninguém está dizendo que a Ubisoft vai aparecer na sua porta com um marreta. Isso é provavelmente só um texto legal para cobrir os seus próprios rabos. Mas não deixa de ser ridículo. É um exemplo perfeito de quão longe nos afastamos da propriedade real nos games – e de quanto controle os jogadores realmente têm hoje em dia.
Antigamente, se uma empresa faliu, seus jogos continuavam funcionando. Seu Dreamcast ainda rodava Jet Set Radio. Seu antigo PC ainda jogava Myst. Não importava se a publicadora sumiu – o que você comprou era seu. Isso é o que tornava especial.
Hoje? Se a Ubisoft ou outra grande publicadora decidir que não vai mais dar suporte a um jogo, ou simplesmente não gostar de algo na sua conta, eles podem te tirar o acesso. E agora, eles estão dizendo que isso inclui suas cópias físicas também.

Ubisoft Wants You to Destroy Your Games
É frustrante, mas não surpreendente. A Ubisoft não tem exatamente conquistado fãs ultimamente. Skull and Bones finalmente lançou este ano e afundou imediatamente. Star Wars Outlaws tinha o nome Star Wars, mas não a força para durar. E Assassin’s Creed Shadows tentou ser tudo ao mesmo tempo e acabou sendo só ok em tudo.
E enquanto a Ubisoft leva a culpa aqui, eles não estão sozinhos. A Xbox removeu silenciosamente dezenas de jogos de sua loja digital, muitos sem aviso. O DRM (Gerenciamento de Direitos Digitais) que exige conexão constante está invadindo títulos single-player. Publicadoras em geral estão transformando o que costumava ser uma compra direta em uma licença frágil que pode desaparecer a qualquer momento.
Isso não é só sobre uma cláusula bizarra de EULA. É sobre o que perdemos. Jogar costumava ser permanente. Tangível. Algo que você podia segurar, guardar e voltar a jogar. Agora está atrelado a contas, servidores e letras miúdas.
Não, você provavelmente não precisa esmagar sua cópia de Watch Dogs. Mas o fato de a Ubisoft achar que pode te mandar fazer isso? Isso sim é algo que vale a pena quebrar.







