Um Legado de 30 Anos Levado a Sério
O lance sobre aniversários marcantes em games é que eles geralmente produzem uma de duas coisas. Ou um pacote de "greatest hits" seguro e que agrada a todos, sem correr riscos, ou um balanço super ambicioso que esquece o que fez a série funcionar em primeiro lugar. Resident Evil Requiem não é nenhum dos dois. A Capcom entregou algo genuinamente raro, um jogo que celebra 30 anos de survival horror, mas que também parece um passo confiante para o que vier a seguir.

Dois sobreviventes, um pesadelo
Para contextualizar, a série Resident Evil já passou por mais crises de identidade do que quase qualquer outra franquia nos games. Horror clássico de câmera fixa, blockbuster de ação com câmera por cima do ombro, terror psicológico em primeira pessoa, e de volta. Requiem não escolhe uma única direção. Ele escolhe duas, e as faz coexistir de maneiras que parecem intencionais, em vez de comprometidas.
Gameplay: Dois Estilos, Uma Visão
O loop de gameplay aqui gira inteiramente em torno do sistema de protagonista duplo, e é onde Requiem conquista a maior parte de seus elogios críticos. Grace joga como uma experiência metódica de survival horror: gerenciamento de recursos, stealth, exploração tensa. Leon joga como uma versão refinada da ação cinética de RE4, confiante e explosivo. A verdadeira questão é se esses dois estilos colidem ou se complementam. A resposta, surpreendentemente, é a segunda opção.
A Capcom claramente investiu muito trabalho de design para fazer as mudanças tonais parecerem conquistadas, em vez de abruptas. Quando você está nas seções de Grace, o jogo desacelera, aperta o cerco e faz cada bala parecer preciosa. Quando você está nas de Leon, o ritmo se abre e o jogo recompensa a agressividade. Mudar entre eles não parece jogar dois jogos separados emendados. Parece dois capítulos do mesmo pesadelo contados de ângulos diferentes.

Cada bala conta em RE9
Dica
Se você é do tipo de jogador que ama o pavor claustrofóbico de RE7, foque nas seções de Grace primeiro. Elas carregam a mesma energia sufocante e recompensam a paciência em vez do poder de fogo.
Os sistemas de progressão suportam ambos os estilos de jogo sem forçar você a se especializar cedo demais. O gerenciamento de inventário continua sendo um quebra-cabeça satisfatório. O design dos inimigos parece variado o suficiente para que o kit de ferramentas de nenhum protagonista se torne uma solução universal. É aqui que fica interessante: o jogo resiste ativamente a deixar você se sentir overpower por muito tempo.
Atmosfera como Arma
A RE Engine continua sendo uma das melhores ferramentas do mercado para esse tipo de jogo. Requiem tem um visual excepcional, não de uma forma que prioriza o espetáculo em detrimento da função, mas de uma forma que faz cada ambiente parecer opressor e vivido. A iluminação faz um trabalho pesado aqui. As sombras se comportam de maneiras que te fazem duvidar se algo não está espreitando logo fora do seu campo de visão.
O design de som merece um parágrafo próprio. A Capcom sempre entendeu que survival horror vive e morre pelo áudio, e Requiem não é exceção. A trilha sonora transita entre o quase silêncio e o terror orquestral com precisão. Os cues de áudio dos inimigos são aterrorizantes da melhor maneira: você vai aprender a temer certos sons antes mesmo de ver o que os está produzindo.

A RE Engine no seu melhor
Aviso
Se você está jogando com fones de ouvido, prepare-se. O áudio espacial neste jogo é genuinamente perturbador e o design de jump scare é mais deliberado e eficaz do que a maioria dos títulos de terror modernos.
A Melhor Escrita da Série em Anos
Esta é a área onde as críticas têm sido mais entusiasmadas, e é merecido. A narrativa de Requiem não usa apenas sua estrutura de protagonista duplo como um gancho mecânico. Ela a usa como um dispositivo de contar histórias. As perspectivas de Grace e Leon sobre os mesmos eventos criam uma tensão dramática genuína, e a escrita respeita ambos os personagens o suficiente para deixá-los carregar seu próprio peso emocional.
Para uma franquia que historicamente tratou a história como um andaime para cenários grandiosos, Requiem parece um salto criativo genuíno. As referências aos 30 anos de lore estão presentes e focadas em fan-service, mas são tecidas na narrativa em vez de serem grampeadas por cima. Se você jogou RE2, RE4 ou Village, reconhecerá fios sendo retomados aqui com cuidado real.

Pagamentos de lore feitos do jeito certo
Onde Falha
Nenhuma análise que valha a pena finge que um jogo é impecável. A estrutura de protagonista duplo de Requiem, com todas as suas qualidades, significa que nem a campanha de Grace nem a de Leon recebem a duração completa que uma entrada com protagonista único permitiria. Jogadores que queriam uma experiência profunda e estendida de Grace ou um arco completo de Leon se sentirão querendo mais de cada um.
O ritmo no segundo ato tropeça um pouco enquanto o jogo equilibra as mudanças tonais entre os dois estilos. É uma reclamação menor no contexto de quão bem a estrutura geral funciona, mas é perceptível. E se você é um purista de survival horror que achou o foco de ação de RE4 Remake frustrante, as seções de Leon não vão te converter.
Veredito
Resident Evil Requiem é o raro jogo de aniversário que realmente justifica a ocasião. Ele não apenas olha para trás. Ele sintetiza 30 anos das melhores ideias da franquia em algo que parece genuinamente completo. O sistema de protagonista duplo é executado com um nível de habilidade que torna difícil imaginar o jogo funcionando de outra maneira. A história é a série em seu estado mais ambicioso. A atmosfera é implacável.
Se você é o tipo de jogador que quer um jogo de survival horror que te leve a sério, Requiem entrega. Se você estava em cima do muro sobre para onde Resident Evil vai depois das primeiras entradas da era RE Engine, isso responde a essa pergunta definitivamente. O ponto principal: esta é uma das melhores entradas em uma franquia de 30 anos, e ela conquista esse status sem depender apenas da nostalgia.

