Imagine um console japonês lilás de 1995, feito para imprimir stickers de personagens de anime e focado quase totalmente no público feminino jovem. Agora, imagine ele rodando DOOM. Esse contraste é exatamente o que o desenvolvedor Throaty Mumbo conseguiu ao finalizar o port do lendário shooter da id Software para o Casio Loopy, um dos sistemas retrô mais obscuros já feitos.
O Casio Loopy foi lançado no Japão em 1995 como um console de 32 bits com uma impressora térmica de stickers integrada na carcaça. Sua biblioteca era focada em títulos de romance e "cosy games", seu design era em tons pastel e ele teve vendas modestas antes de sumir das prateleiras. Ele nunca saiu do Japão. Nunca teve um jogo de ação sério. E ele absolutamente nunca teve DOOM. Até agora.

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O flash cart que tornou tudo possível
A chave aqui é o Floopy Drive, um flash cartridge open-source construído especificamente para o Casio Loopy. Throaty Mumbo já estava experimentando com o dispositivo, rodando homebrews como "Floopy Bird" e um título inspirado em DOOM chamado "Anarch" no hardware. Esses experimentos aparentemente acenderam a faísca. O dev decidiu ir além e tentar um port real de DOOM, usando a versão de SNES como principal ponto de referência para o escopo e a build.
O processo começou fazendo o jogo rodar em um emulador antes de tentar o grind através do Floopy Drive no hardware real. A primeira tentativa no console rodou lenta e sem áudio MIDI. Mais dois dias de trabalho pesado resolveram ambos os problemas.
Fazendo o áudio de DOOM se comportar no hardware de stickers de 1995
O que a maioria dos players ignora quando vê posts de "DOOM roda em qualquer coisa" é o trabalho insano no áudio. Tanto DOOM quanto o Casio Loopy usam MIDI, mas o shooter foi desenhado em cima da sound font do Roland SC-55. Esse mismatch significava que a bateria e as camadas de instrumentos saíam totalmente fora de sincronia no hardware do Loopy.
Throaty Mumbo revisou cada instrumento individualmente para encontrar tons mais apropriados para o chip de som do Loopy. O resultado é fiel o suficiente para que a trilha sonora de DOOM continue reconhecível, o que não é pouco em um hardware tão fora das specs originais da id.
Ainda restavam os efeitos sonoros. A solução envolveu um mod físico no Floopy Drive para suportar PCM audio output, usando uma placa controladora Raspberry Pi RP2040 pareada com um conversor digital-analógico PCM5102 conectado aos pinos do cartucho. O resultado: música MIDI e SFX em PCM rodando simultaneamente em um console que foi feito para imprimir fotos de anime.
Como o visual se compara à versão de SNES
O port parece "quadrado" para os padrões modernos, mas isso já era esperado. O que importa é a comparação com o port de SNES, que Throaty Mumbo usou como benchmark. A versão do Loopy aguenta bem o tranco, o que é impressionante considerando que o SNES tinha o Super FX chip no cartucho para ajudar no render 3D. O Casio Loopy não tem nenhum co-processador equivalente. O fato de o visual ser competitivo sem esse "buff" de hardware diz muito sobre o que Throaty Mumbo conseguiu extrair da plataforma.
A impressora de stickers deu a palavra final
Throaty Mumbo também criou uma label customizada para o cartucho de DOOM, abraçando a estética pastel do Loopy em vez de lutar contra ela. O toque final é exatamente o que você esperaria: um screenshot de um Cacodemon impresso como sticker usando a impressora do Loopy, colado em um álbum de recortes ao lado do conteúdo kawaii habitual do console.
A tradição do "can it run DOOM" já dominou hardwares bizarros ao longo dos anos, de testes de gravidez a caixas eletrônicos. O Casio Loopy se destaca não só pela obscuridade, mas por quão "errado" ele parece como plataforma para DOOM. Um console feminino de 1995, cor de rosa e que imprime stickers, rodando um port funcional de um dos shooters mais icônicos da história, com áudio PCM, é o tipo de coisa que faz a cena homebrew valer a pena.
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