A indústria de games na África está a caminho de dar passos significativos em 2024, com dados recentes sugerindo um aumento substancial no valor de mercado e uma forte preferência por jogos mobile entre os jogadores. O Pan Africa Gaming Group (PAGG) e o GeoPoll divulgaram os resultados de uma pesquisa indicando que aproximadamente 92% dos gamers no continente preferem jogar em seus smartphones, sinalizando uma mudança notável nos hábitos de jogo.
O estúdio nigeriano Maliyo Games também publicou recentemente seu Africa Games Industry Report, lançando luz sobre o cenário dinâmico da indústria de games na África, com impressionantes 200 milhões de gamers gastando centenas de milhões de dólares principalmente em plataformas mobile.
Por fim, de acordo com projeções da Newzoo, o mercado de games africano deve ultrapassar US$ 1 bilhão pela primeira vez em 2024. A pesquisa recente conduzida pelo Geopoll e PAGG corrobora ainda mais essa previsão, pintando um quadro vívido de um cenário de games vibrante e em rápida expansão na África. Neste artigo, desvendamos os principais achados dos três relatórios e fornecemos insights essenciais para entusiastas de web3 gaming.

Dados GeoPoll e PAGG
O relatório GeoPoll, anunciado durante a Game Developers Conference, é um esforço colaborativo entre Geopoll e PAGG. Ele abrange insights de mais de 2.500 jogadores em países africanos chave como Nigéria, Egito, Quênia e África do Sul, fornecendo informações valiosas sobre os interesses e comportamentos dos jogadores.
A Prevalência do Mobile Gaming: A pesquisa revela uma inclinação significativa para o mobile gaming, com impressionantes 92% dos respondentes jogando em seus celulares. Essa preferência é impulsionada pela crescente penetração de smartphones e pela dominância da plataforma Android, com 92% dos respondentes tendo baixado jogos da Google Play Store.
Engajamento: Jogar é uma fonte primária de entretenimento, relaxamento e um remédio para o tédio para a maioria dos gamers, com 73% jogando por diversão e 64% para alívio do estresse.
Gastos: O investimento financeiro em games é notável, com 63% dos gamers tendo feito uma compra relacionada a jogos. O valor gasto varia, com 29% gastando entre US$ 2 a US$ 5 mensais, ilustrando uma base de jogadores disposta, mas consciente dos custos.

Navegando pelas Barreiras: O relatório também identifica barreiras para compras em jogos, com 47% preferindo jogos gratuitos e 44% citando falta de fundos. Os desafios relacionados a custos vão além das compras, pois os gamers listam o custo dos pacotes de dados (42%) e hardware de jogos caro (31%) entre seus principais desafios.
Um Chamado por Representação Cultural: Mais da metade dos respondentes valoriza a relevância cultural nos jogos, e um substancial 44% sente que não há jogos suficientes com personagens que se pareçam com eles ou ambientes semelhantes às suas vidas, sinalizando um mercado inexplorado para a criação de conteúdo local.
Insights sobre Publicidade In-Game: Apesar de sentimentos mistos sobre anúncios em jogos, um surpreendente 63% fez uma compra após ver um anúncio em um jogo. Isso sugere que, embora os anúncios possam ser recebidos com alguma resistência, eles permanecem uma ferramenta potente para engajamento e monetização dentro do ecossistema de games.

O Cenário de Games Local: Um impressionante 56% dos respondentes desconhece qualquer jogo feito na África, destacando uma lacuna significativa na visibilidade e penetração de mercado para desenvolvedores locais. No entanto, há um interesse crescente em apoiar talentos locais, com sentimentos variados entre os países em relação à importância dos jogos locais.
John Murunga, diretor regional da GeoPoll para a África, expressou entusiasmo com os resultados da pesquisa, afirmando: "Nossa 'Gaming in Africa Survey' desenterrou tendências fascinantes que sublinham o rápido crescimento e as dinâmicas únicas do setor de games no continente." Murunga enfatizou o potencial dos games para servir como um poderoso meio de expressão cultural e construção de comunidade na África.
Com a África emergindo como o mercado global de crescimento mais rápido na indústria de games, impulsionada por uma população de jovens nativos digitais e crescente penetração de smartphones, o continente está posicionado para remodelar o cenário global de games. Jay Shapiro, presidente do PAGG, ressaltou a importância dos dados, destacando o imenso potencial de crescimento na indústria africana de games. Shapiro declarou: "Este relatório mostra o verdadeiro potencial dos bilhões de jovens do continente para encontrar, jogar e comprar jogos localmente relevantes."
Dados Newzoo e Maliyo Games

Visão Geral do Mercado e Gastos
De acordo com o Newzoo Global Games Market Report, os africanos gastam em média US$ 6 por ano em jogos, principalmente através de compras in-app em seus celulares. A África Subsaariana sozinha gasta cerca de US$ 778,6 milhões em compras in-app, representando 90% de toda a receita de jogos na região. A África do Sul lidera com uma receita média por usuário de US$ 12 por ano. O relatório continua prevendo que o mercado de games africano gerará mais de US$ 1 bilhão em receita de consumidores até 2024.
Análise Abrangente dos Gastos do Consumidor Regional
- Quênia: US$ 46,5 milhões
- Etiópia: US$ 42,7 milhões
- Gana: US$ 34,6 milhões
- Costa do Marfim: US$ 31,9 milhões
- Angola: US$ 26 milhões
- Tanzânia: US$ 23,4 milhões
- Camarões: US$ 17,2 milhões
- Uganda: US$ 16 milhões
Público e População de Jogadores
O Africa Games Industry Report revela um aumento significativo no número de gamers na África Subsaariana, crescendo de 77 milhões em 2015 para 186 milhões em 2021. O mobile gaming domina com 95% da população jogadora (177 milhões) preferindo jogos mobile. Os cinco principais mercados de games incluem Nigéria, África do Sul, Etiópia, Quênia e Gana.
A diversidade do mercado de games africano é evidente, exibindo uma riqueza de variedade com mais de 3.000 grupos étnicos distintos e uma tapeçaria linguística compreendendo mais de 2.000 idiomas. Inglês, Francês, Suaíli, Hausa e Árabe se destacam como algumas das línguas mais faladas, sublinhando os desafios e oportunidades distintos que caracterizam o continente.

Demografia e Potencial de Crescimento
A África ostenta uma população jovem com uma idade mediana de 19,7 anos, contribuindo para uma oportunidade significativa de crescimento. Aproximadamente 60% dos 1,4 bilhão de habitantes da África têm menos de 18 anos. Essa mudança demográfica contribui para o crescente poder de compra da África, incluindo seu consumo de videogames.
Os resultados da Africa Game Developer Survey mostram um cenário de desenvolvimento dinâmico, com 78% dos respondentes trabalhando em jogos mobile, 70% em jogos para PC e 18% em jogos para console. Unity é o motor de jogo mais utilizado com 64%, seguido por Unreal com 14%. Desafios financeiros persistem para desenvolvedores africanos, com apenas 59% garantindo investimento externo, e desafios de infraestrutura como fornecimento de energia instável e acesso à internet caro permanecem.

Estudo de Caso de Financiamento VC Carry1st
Com o número de gamers na África Subsaariana projetado para exceder centenas de milhões nos próximos cinco anos, startups como a Carry1st estão se posicionando estrategicamente para capitalizar esse imenso potencial.
Esta editora sul-africana de jogos sociais e conteúdo interativo obteve apoio substancial de investidores, incluindo fundos renomados focados em web3 e games como Andreessen Horowitz (a16z), Konvoy Ventures e a recente adição da Bitkraft Ventures em sua rodada de financiamento pré-Série B de US$ 27 milhões.
Curiosamente, a África está emergindo como uma das mais rápidas adotantes da tecnologia web3 no mundo. De acordo com um relatório publicado pelo Fundo Monetário Internacional (IMF), as transações de cripto da região atingiram US$ 20 bilhões por mês em 2021. Uma das razões para a popularidade de ativos alternativos em muitas regiões da África é que os ativos fiduciários tradicionais lá são notoriamente instáveis.

Relevância para Web3 Gaming
Os achados dos três relatórios oferecem insights valiosos para o mundo do web3 gaming. Com 92% dos respondentes engajados ativamente em mobile gaming, os dados sublinham a importância da acessibilidade e conveniência nas experiências de jogo. O blockchain gaming, com sua natureza descentralizada e interoperável, tem o potencial de aumentar ainda mais a acessibilidade ao eliminar a necessidade de lojas de aplicativos centralizadas e permitir experiências cross-platform fluidas. Isso se alinha bem com a preferência predominante por mobile gaming e pode catalisar uma maior adoção de web3.

Além disso, os dados destacam o investimento financeiro significativo em games, com 63% dos gamers tendo feito compras relacionadas a jogos. Isso sublinha as oportunidades econômicas potenciais dentro do ecossistema de web3 gaming, onde mecanismos de finanças descentralizadas (DeFi) podem oferecer modelos de monetização inovadores como play-to-earn e tokens não fungíveis (NFTs). Esses modelos podem capacitar os jogadores a possuir verdadeiramente seus ativos in-game e participar da criação de valor dentro de economias virtuais, promovendo assim um ecossistema de games mais sustentável e inclusivo.
As barreiras identificadas nos relatórios, como a preferência por jogos gratuitos e preocupações com custos, também apontam para áreas onde o web3 gaming pode oferecer soluções. Através de governança descentralizada e tokenomics, plataformas de web3 gaming podem incentivar a participação e recompensar os jogadores por suas contribuições, reduzindo assim as barreiras de entrada e promovendo uma comunidade de games mais inclusiva. Adicionalmente, a transparência e imutabilidade proporcionadas pela tecnologia blockchain podem abordar preocupações sobre privacidade e segurança de dados, aumentando a confiança entre os gamers.

Considerações Finais
Em conclusão, os achados dos relatórios oferecem insights valiosos sobre as dinâmicas da indústria de games e sublinham o potencial do web3 gaming para revolucionar a forma como os jogos são criados, distribuídos e monetizados. Ao abraçar a descentralização, a tecnologia blockchain e a inovação impulsionada pela comunidade, o web3 gaming tem o potencial de promover maior inclusão, propriedade e engajamento, inaugurando uma nova era de experiências de jogo.






