A Sony mal teve tempo de respirar após anunciar que vai encerrar a fabricação de mídias físicas até 2028, e os problemas jurídicos já estão acumulando. Dois casos importantes já estão em andamento, e é quase certo que não serão os últimos.

Obtenha 1 mês de assinatura GTA+ com a pré-venda.
Garanta a pré-venda de GTA 6 agora
O caso holandês de $457 milhões ganhou um argumento de peso
Um grupo de defesa do consumidor na Holanda, que já está em uma batalha judicial contra a Sony pelo controle da PS Store, afirma que o fim da mídia física é exatamente a evidência que faltava. O grupo busca cerca de $457 milhões em indenizações, argumentando que eliminar as opções de compra física dá à Sony um poder de precificação sem controle. Sem outras lojas concorrentes permitidas no hardware do PlayStation e com os discos físicos desaparecendo de vez, o argumento é que os consumidores ficarão sem saída.
O ponto é: esse argumento tem fundamento. A Sony parou de permitir que varejistas terceiros vendessem códigos digitais de jogos para PlayStation por volta de 2019, uma decisão que já reduziu consideravelmente a competitividade. O varejo físico era a última barreira real contra os preços da PS Store. Remova isso, e a questão do poder de precificação se torna muito difícil de ignorar.
Legisladores do México preparam denúncia antitruste
Um desafio separado, mas intimamente relacionado, está surgindo no México, onde legisladores estão preparando uma denúncia à Comissão Federal de Competição Econômica do país. O pedido é por uma investigação sobre as práticas de distribuição da Sony após o anúncio sobre os jogos físicos. A preocupação central reflete o caso holandês: uma única loja fechada, sem concorrência externa e preços definidos inteiramente a critério da Sony.
A possível defesa da Sony aqui é o plano declarado de continuar fornecendo produtos aos varejistas, provavelmente na forma de códigos em caixas, similar ao que acontece com a edição física de GTA 6. A lógica é que, se os varejistas ainda podem vender jogos de PlayStation, mesmo que como códigos resgatáveis em vez de discos, a concorrência tecnicamente ainda existe. Se os reguladores vão aceitar essa narrativa é a grande questão, e isso está longe de ser resolvido.
Por que a defesa do "código em caixa" pode não se sustentar
O modelo de código em caixa parece um meio-termo, mas tem um problema estrutural. Se a Sony define o preço de atacado desses códigos, os varejistas têm pouquíssima margem para oferecer preços melhores que a PS Store sem sacrificar seus próprios lucros. A pressão competitiva que o varejo físico historicamente gerava, onde um lojista podia dar um desconto no jogo independentemente do preço sugerido pela publisher, praticamente desaparece. Você acaba com um preço único apenas "fantasiado" de produto físico.
O que a maioria dos players não percebe é que esse não é apenas um debate sobre físico versus digital. A questão mais profunda envolve direitos de propriedade digital, transferência de licenças e se os consumidores têm qualquer recurso real caso um jogo seja removido da loja ou um serviço seja encerrado. A questão do disco é apenas a ponta do iceberg.
O cenário jurídico maior pela frente
Esses dois casos são, quase certamente, apenas o início de um processo muito mais longo. A Sony detém mais de 50% do mercado de consoles na UE, o que a coloca em uma posição muito mais exposta do que uma plataforma de nicho quando os reguladores europeus começam a investigar. A comparação com as batalhas da Apple na App Store já está circulando, e a Apple não saiu ilesa dessas brigas, nem na UE nem no Brasil.
O ponto chave aqui é que ainda não existe uma decisão regulatória definitiva sobre o que constitui uma prática aceitável para bens digitais em plataformas fechadas. Até que a UE ou outra jurisdição importante trace uma linha clara, espere mais processos, mais investigações e mais pressão de grupos de consumidores em vários países. A Sony certamente já fez o "war-game" desses cenários internamente, e a abordagem de código em caixa parece um escudo jurídico preventivo. Se vai funcionar, é algo que os tribunais levarão anos para responder.
Para os players de PlayStation que querem se antecipar às mudanças da plataforma, nosso guia de Starfield para PS5 cobrindo recursos do DualSense e modos do PS5 Pro vale a pena ser salvo nos favoritos como um exemplo de como é a experiência 100% digital no PS5 na prática. Para uma cobertura mais ampla do que está por vir na plataforma, o hub de guias de jogos tem tudo o que você precisa para ficar por dentro enquanto o modelo de lançamento do PlayStation continua evoluindo.







