O mercado de PCs está entrando em um terreno perigoso. A IDC prevê uma queda de 11.3% nas remessas de PCs para 2026, com a crise se estendendo até 2027 e as vendas não recuperando totalmente os níveis atuais nem mesmo em 2030. Ao mesmo tempo, a Apple estaria dobrando a produção do MacBook Neo para 10 milhões de unidades, após a demanda superar todas as expectativas iniciais. Duas histórias, um mercado, e elas contam versões completamente opostas.

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A escassez de memória encarecendo os PCs
O papo é o seguinte: a crise de memória é a raiz de quase tudo que está dando errado para os fabricantes de PC agora. A IDC aponta diretamente para uma escassez persistente de memória, sem previsão de melhora significativa antes do final de 2027, como o principal motivo por trás dessa previsão sombria. Os preços estão subindo e, como resultado, os fabricantes estão sofrendo para manter seus portfólios de produtos completos.
A situação já está afetando o comportamento do consumidor. As remessas de PCs até cresceram 3% no Q1 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado, mas a IDC é clara: esse crescimento foi "tempo emprestado". Os compradores, tanto consumidores quanto empresas, anteciparam as compras para fugir dos aumentos de preço e da falta de estoque. Essa demanda antecipada já foi gasta, e a queda é inevitável.
O que isso significa para os gamers é simples: se você estava pensando em dar um upgrade no seu setup, a janela onde os preços ainda eram aceitáveis provavelmente já zerou. Os custos de RAM e armazenamento subiram, e o impacto total nas builds de PCs gamer e notebooks ainda nem chegou com força total.
Por que o MacBook Neo está indo contra a maré
A posição da Apple aqui é genuinamente interessante. O analista Ming-Chi Kuo relata que a Apple dobrou sua meta de produção do MacBook Neo para 2026, saltando de 5 milhões para 10 milhões de unidades. O CEO da Apple, Tim Cook, descreveu a resposta dos clientes como "fora da curva", e os números confirmam isso.
O timing explica tudo. O Neo foi lançado por $599 enquanto o mercado geral de PCs estava ficando mais caro. Notebooks Windows concorrentes estão subindo de preço, enquanto a Apple manteve o seu, e os compradores notaram. A IDC até revisou sua previsão de notebooks para cima, especificamente por causa do sucesso de vendas do Neo.
A Apple também tem o poder na cadeia de suprimentos para absorver a escassez de memória melhor do que a maioria. Através de contratos de longo prazo e um poder de compra absurdo, a Apple consegue garantir alocações de memória que fabricantes menores simplesmente não conseguem bater. O resultado é que o Neo continua custando $599 enquanto máquinas Windows comparáveis ficam cada vez mais caras.
O que a indústria de PCs precisa fazer agora
A análise da IDC não descreve apenas o problema, ela desenha como deve ser a resposta. O sucesso do Neo está colocando uma pressão real sobre os fabricantes de PCs Windows para responderem com novos chips, um sistema operacional mais eficiente da Microsoft e preços promocionais agressivos. É uma tarefa difícil quando os custos de memória estão espremendo as margens de lucro por todos os lados.
O ponto chave aqui é que o MacBook Neo não apenas abocanhou as vendas de notebooks Windows. Ele forçou a IDC a revisar toda a previsão da categoria de notebooks para cima, o que significa que a Apple está realmente mudando o cenário do mercado até 2026. Essa é uma mudança significativa para um dispositivo que foi lançado recentemente.
Para o PC gaming especificamente, a preocupação é menos sobre os MacBooks (o gaming no macOS ainda é limitado) e mais sobre o que o aumento dos custos dos componentes fará com os notebooks e desktops gamer mid-range. A faixa de $800 a $1,200 é o "sweet spot" dos notebooks gamer, e é exatamente onde o aperto da memória vai bater mais forte, e é onde a maioria dos PC gamers faz seu farm de hardware.
Confira as análises mais recentes para ver quais notebooks gamer ainda valem o investimento antes que os preços mudem ainda mais. O cenário do mercado para o segundo semestre de 2026 será bem diferente de como as coisas estavam no início do ano.








