A AppsFlyer, uma empresa com mais de 1.300 funcionários, adotou uma abordagem nada convencional para a adoção de IA: pausou temporariamente seus objetivos de negócio habituais e colocou o aprendizado de IA como o foco central para todo o time. Durante um mês inteiro, os colaboradores não precisaram encaixar o aprendizado de IA entre suas tarefas; aprender e experimentar com IA se tornou o próprio trabalho. Essa iniciativa, compartilhada pelo Chief Product Officer Barak Witkowsky em um podcast recente, mostra como uma grande organização pode implementar uma transformação de IA do zero, como se estivesse montando uma build do início.
Os desafios da integração convencional de IA
Muitas empresas tratam a IA como uma iniciativa top-down. Executivos definem KPIs, desenham processos e instruem as equipes a adotar soluções de IA. Embora a liderança possa estar otimista com o potencial da tecnologia, os funcionários frequentemente sentem incerteza e hesitação. Witkowsky chama isso de "AI hesitancy gap" (lacuna de hesitação em IA), onde os colaboradores se sentem inseguros sobre suas próprias habilidades com IA, mesmo com a organização pressionando pela adoção. Essa dinâmica pode gerar a síndrome do impostor e travar o engajamento real com as ferramentas de IA.
Combinando a visão da liderança com a inovação do time
A estratégia da AppsFlyer combinou uma orientação executiva clara com inovação vinda da base. A empresa introduziu objetivos baseados em IA conhecidos como ATOMs, enquanto capacitava funcionários de todos os departamentos a explorar e experimentar soluções de IA. Hackathons internos, reconhecimento de especialistas em IA e tempo dedicado para experimentação permitiram que os colaboradores contribuíssem com ideias e insights que influenciaram diretamente as capacidades de IA da empresa. Grande parte do conhecimento em IA da AppsFlyer hoje vem da sua própria força de trabalho, e não de consultores ou vendors externos, observa Witkowsky.
O CEO Oren Kaniel foi fundamental para apoiar a iniciativa, comprometendo a empresa com um modelo onde a competência em IA é distribuída de forma ampla, em vez de centralizada. Witkowsky relembra o ceticismo inicial entre o staff, mas a abordagem acabou zerando a cultura da empresa e reconstruindo-a.
Evoluindo o produto junto com a adoção de IA
Paralelamente à transformação interna, a AppsFlyer evoluiu suas ofertas de produto. Originalmente uma plataforma de atribuição, a empresa agora se posiciona como uma moderna marketing cloud, integrando agentes de IA que apoiam profissionais de marketing em tarefas como análise de audiência, estratégia de campanha e recomendações criativas. Essa evolução responde à pressão crescente sobre as equipes de marketing para demonstrar resultados mensuráveis, gerenciar estratégias omnichannel complexas e adotar ferramentas de IA capazes de fluxos de trabalho autônomos.
Os agentes de IA funcionam como extensões do time de marketing, permitindo que os clientes façam o farm de dados para estratégias e melhorem a eficiência das campanhas. Ao incorporar IA em seus produtos principais, a AppsFlyer ajuda simultaneamente os clientes a fazerem a transição para operações AI-first.
Fomentando a confiança nos insights de IA
Um dos desafios centrais na adoção de IA é garantir que os usuários confiem nas decisões tomadas pela tecnologia. A AppsFlyer mede a confiança através do comportamento do usuário, e não por métricas de vaidade. Por exemplo, observa-se clientes tomando decisões rápidas e de alto risco, realocando verba de anúncios ou ajustando campanhas após apenas alguns dias com base na análise da IA. Witkowsky explica que essas ações são um indicador de confiança muito mais confiável do que pesquisas ou estatísticas de uso. A empresa apoia os clientes na adoção gradual de práticas de marketing autônomo, reforçando a confiança nos agentes de IA como parte do processo de tomada de decisão.
Implicações para profissionais de marketing
Com a IA cuidando de mais tarefas operacionais, espera-se que os performance marketers migrem para responsabilidades estratégicas e criativas. Witkowsky vislumbra um modelo onde os profissionais de marketing gerenciam agentes de IA, que por sua vez gerenciam outros agentes, permitindo que as equipes escalem sua gameplay criativa e estratégica. Em vez de reduzir o papel do profissional de marketing, a IA amplia suas capacidades e permite que foquem em planejamento de alto nível e engajamento do usuário. Aqueles que se adaptarem a esse ambiente provavelmente continuarão competitivos, enquanto os que resistirem correm o risco de ficar para trás.
Lições para empresas que consideram a transformação em IA
A experiência da AppsFlyer oferece várias lições para organizações que buscam implementar IA: demonstra o valor de tornar o aprendizado de IA o núcleo do trabalho dos funcionários, distribuir o conhecimento de forma ampla e combinar a orientação executiva com a inovação da base. O investimento é significativo e o ROI ainda está sendo medido, mas o impacto cultural é evidente. Ao priorizar o desenvolvimento de habilidades em IA em toda a força de trabalho, a AppsFlyer posicionou tanto seus funcionários quanto seus clientes para uma adaptação de longo prazo na era da IA.
Fonte: Deconstructor of Fun
Perguntas Frequentes (FAQs)
O que significa ter uma cultura AI-First?
Uma cultura AI-first prioriza o conhecimento e a adoção de IA entre todos os funcionários, em vez de limitar isso a equipes específicas ou executivos. Na AppsFlyer, cada colaborador foi treinado para entender e usar ferramentas de IA como parte do seu trabalho diário.
Como a AppsFlyer treinou 1.300 funcionários em IA?
A empresa pausou os objetivos de negócio padrão por um mês e forneceu um programa estruturado de AI builder. Os funcionários participaram de hackathons, receberam orientação de especialistas internos e foram incentivados a experimentar a IA como parte de suas tarefas diárias.
Por que a AppsFlyer pausou as metas de negócio para o treinamento em IA?
A empresa visava remover prioridades conflitantes para que os funcionários pudessem focar totalmente no entendimento da IA. Fazer da IA o trabalho central garantiu o engajamento e permitiu que a organização distribuísse o conhecimento por todos os departamentos.
Como o produto da AppsFlyer mudou com a adoção de IA?
A AppsFlyer transformou seu produto de uma plataforma de atribuição em uma moderna marketing cloud. A plataforma agora inclui agentes de IA que auxiliam os profissionais de marketing com análise, gerenciamento de campanhas e recomendações estratégicas.
Qual é o benefício a longo prazo de uma força de trabalho AI-first?
Uma força de trabalho AI-first pode inovar com mais eficiência, melhorar processos internos e ajudar clientes a adotar soluções de IA de forma eficaz. Os funcionários ganham habilidades que aumentam a produtividade, enquanto a organização se beneficia do conhecimento distribuído em IA e de uma adaptação mais rápida a novas tecnologias.








